quinta-feira, outubro 26, 2006

Doce Natureza

Contemplo a chuva da janela do meu quarto, sinto o cheiro da terra molhada, aquele agradável aroma da natureza. Aproximo-me mais, para sentir as lágrimas do céu a baterem-me no rosto, e a cada embate apercebo-me de que estou viva, posso sentir, posso cheirar, posso contemplar a beleza simples e pura que me rodeia. Mas o que mais me deleita, é que este belo quadro de valor incalculável, é-me generosamente oferecido.

O céu tomou uma tonalidade cinzenta, delicadamente pincelado com o amarelo do sol que teima em espreitar, as nuvens adoptam inúmeras formas, apelando à minha imaginação. De súbito a bonança chega aos céus oferecendo-nos um momento mágico, em que o azul impera mergulhado numa transparência divina. O vento suave percorre o meu rosto, num suave toque que se assemelha a um beijo doce e terno.

Quantas são as obras de arte por que passamos diariamente sem contemplar? Quantos são os gestos e sorrisos que deixamos de apreciar?

Recordo-me de um livro que li, no qual o seu autor, um invisual, retrata a forma como observa a natureza, um olhar que não vê mas sente como ninguém, ou talvez veja mais do que aqueles que se dizem dotados de tal sentido mas que teimam em subestimá-lo. No seu livro diz-nos que, nos dias chuvosos, se sente capaz de ver, na medida em que, o som da chuva a cair, o seu sabor, o seu toque permitem-lhe obter as formas da natureza, que descreve como ninguém.

Hoje apercebo-me do quanto é verdade aquilo que descreve, o quanto é bom este contacto com a natureza, que tantas vezes desprezamos elegendo os longos passeios pelos centros comerciais e afins. São estas pequenas coisas, que sempre estiveram ao nosso alcance que nos permitem encontrar a paz e a força interior que se encontra escondida nas muralhas do nosso ser.

Chega a noite e mais uma vez a lua me presenteia com o seu bailado de estrelas iluminando a minha passagem, num concerto de pequenas lamparinas cintilantes ao qual aplaudo de pé. Não há nada que se compare a este belo espectáculo da mãe natureza.

Recolho-me ao meu quarto, mas hoje deixarei a janela aberta para deixar os sons da noite entrar e assim me embalarem, qual criança no seu berço a ser acalentada pela voz doce da sua mãe. Hoje dormirei em paz…


PS: apesar de ainda estarmos em Outubro, mas já com Novembro à espreita e a chuva que veio para ficar,decidi colocar esta música, pois nestes dias sabe-me sempre bem ouvi-la.

sábado, outubro 14, 2006

CAMINHOS...


Diariamente percorremos de cabeça erguida a estrada da vida, parando para cobiçar terceiros, debatendo vidas alheias, criticando condutas e opiniões, socorrendo-nos a um mata-borrão, de forma a camuflar o rasto de defeitos que vamos trilhando na nossa longa caminhada.

Gritamos bem alto que estamos vivos, mas parece-me que nada mais fazemos senão percorrer incessantemente pelos labirintos circulares da vida, quais crianças em busca de aventura. Corremos, corremos corremos, com pressa de chegar … e se possível em primeiro lugar.

Com o suor a escorrer pelo rosto, as faces coradas e a respiração ofegante, apercebemo-nos que o arquitecto do labirinto se esmerou ao desenhar vários caminhos, dos quais apenas um nos permite chegar ao mais belo dos diamantes. E nesta busca desenfreada pelo lugar no pódio, descobrimos que gastámos todas as nossas forças e já é tarde demais para recuar.

Rodopiamos em torno dos sete pecados mortais (preguiça, gula, luxúria, ira, cobiça, inveja e orgulho), rotulando-os de impuros e imorais, mas não serão muito mais nefastos e obscuros os ditos pecados sócias... Estes comportam-se como uma espécie de cancro, que quando não diagnosticado a tempo, lança em todo o sistema tentáculos malignos que ao proliferarem destroem todo o equilíbrio social.

Mas afinal quais são os ditos pecados sociais, que estão na base de todo o desvario social?
Apesar da sua exposição ter sido efectuada algumas décadas atrás por Mahãtmã Gandhi,, os ditos demónios continuam a imperar nas sociedades, são eles:

-Política sem princípios;
-Comércio sem moral;
-Riqueza sem trabalho;
-Ciência sem humanidade;
-Educação sem carácter;
-Religião sem sacrifício;
-Prazer sem consciência;

Facilmente os reconhecemos, para tal basta ligarmos a televisão, ler um jornal, observar os nossos parceiros sociais ou mesmo olharmo-nos ao espelho. Nesta aceitação da realidade, trazemos à superfície uma espécie de liberdade, que até então se encontrava submersa num pântano imoral, tornando-nos responsáveis pela nossas condutas e pelos trilhos delineados, uma vez que, somos nós que construímos o mundo em que vivemos. E deste cargo jamais nos poderemos demitir…

sábado, outubro 07, 2006

As palavras que nunca te direi



No silêncio das palavras procurei respostas…
Nos pesadelos procurei um sonho…
Na solidão procurei caminhos…
Na escuridão procurei a luz…
(...)
Sucumbida ao cansaço parei de mendigar, o tanto que supliquei…
Peguei num lápis e papel e rabisquei as palavras que nunca te direi…