Doce Natureza

Contemplo a chuva da janela do meu quarto, sinto o cheiro da terra molhada, aquele agradável aroma da natureza. Aproximo-me mais, para sentir as lágrimas do céu a baterem-me no rosto, e a cada embate apercebo-me de que estou viva, posso sentir, posso cheirar, posso contemplar a beleza simples e pura que me rodeia. Mas o que mais me deleita, é que este belo quadro de valor incalculável, é-me generosamente oferecido.
O céu tomou uma tonalidade cinzenta, delicadamente pincelado com o amarelo do sol que teima em espreitar, as nuvens adoptam inúmeras formas, apelando à minha imaginação. De súbito a bonança chega aos céus oferecendo-nos um momento mágico, em que o azul impera mergulhado numa transparência divina. O vento suave percorre o meu rosto, num suave toque qu
e se assemelha a um beijo doce e terno.
Quantas são as obras de arte por que passamos diariamente sem contemplar? Quantos são os gestos e sorrisos que deixamos de apreciar?
Recordo-me de um livro que li, no qual o seu autor, um invisual, retrata a forma como observa a natureza, um olhar que não vê mas sente como ninguém, ou talvez veja mais do que aqueles que se dizem dotados de tal sentido mas que teimam em subestimá-lo. No seu livro diz-nos que, nos dias chuvosos, se sente capaz de ver, na medida em que, o som da chuva a cair, o seu sabor, o seu toque permitem-lhe obter as formas da natureza, que descreve como ninguém.
Hoje apercebo-me do quanto é verdade aquilo que descreve, o quanto é bom este contacto com a natureza, que tantas vezes desprezamos elegendo os longos passeios pelos centros comerciais e afins. São estas pequenas coisas, que sempre estiveram ao nosso alcance que nos permitem encontrar a paz e a força interior que se encontra escondida nas muralhas do nosso ser.
Chega a noite e mais uma vez a lua me presenteia com o seu bailado de estrelas iluminando a minha passagem, num concerto de pequenas lamparinas cintilantes ao qual aplaudo de pé. Não há nada que se compare a este belo espectáculo da mãe natureza.
Recolho-me ao meu quarto, mas hoje deixarei a janela aberta para deixar os sons da noite entrar e assim me embalarem, qual criança no seu berço a ser acalentada pela voz doce da sua mãe. Hoje dormirei em paz…
PS: apesar de ainda estarmos em Outubro, mas já com Novembro à espreita e a chuva que veio para ficar,decidi colocar esta música, pois nestes dias sabe-me sempre bem ouvi-la.
CAMINHOS...

Diariamente percorremos de cabeça erguida a estrada da vida, parando para cobiçar terceiros, debatendo vidas alheias, criticando condutas e opiniões, socorrendo-nos a um mata-borrão, de forma a camuflar o rasto de defeitos que vamos trilhando na nossa longa caminhada.
Gritamos bem alto que estamos vivos, mas parece-me que nada mais fazemos senão percorrer incessantemente pelos labirintos circulares da vida, quais crianças em busca de aventura. Corremos, corremos corremos, com pressa de chegar … e se possível em primeiro lugar.
Com o suor a escorrer pelo rosto, as faces coradas e a respiração ofegante, apercebemo-nos que o arquitecto do labirinto se esmerou ao desenhar vários caminhos, dos quais apenas um nos permite chegar ao mais belo dos diamantes. E nesta busca desenfreada pelo lugar no pódio, descobrimos que gastámos todas as nossas forças e já é tarde demais para recuar.
Rodopiamos em torno dos sete pecados mortais (preguiça, gula, luxúria, ira, cobiça, inveja e orgulho), rotulando-os de impuros e imorais, mas não serão muito mais nefastos e obscuros os ditos pecados sócias... Estes comportam-se como uma espécie de cancro, que quando não diagnosticado a tempo, lança em todo o sistema tentáculos malignos que ao proliferarem destroem todo o equilíbrio social.
Mas afinal quais são os ditos pecados sociais, que estão na base de todo o desvario social?
Apesar da sua exposição ter sido efectuada algumas décadas atrás por Mahãtmã Gandhi,, os ditos demónios continuam a imperar nas sociedades, são eles:
-Política sem princípios;
-Comércio sem moral;
-Riqueza sem trabalho;
-Ciência sem humanidade;
-Educação sem carácter;
-Religião sem sacrifício;
-Prazer sem consciência;
Facilmente os reconhecemos, para tal basta ligarmos a televisão, ler um jornal, observar os nossos parceiros sociais ou mesmo olharmo-nos ao espelho. Nesta aceitação da realidade, trazemos à superfície uma espécie de liberdade, que até então se encontrava submersa num pântano imoral, tornando-nos responsáveis pela nossas condutas e pelos trilhos delineados, uma vez que, somos nós que construímos o mundo em que vivemos. E deste cargo jamais nos poderemos demitir…
As palavras que nunca te direi

No silêncio das palavras procurei respostas…
Nos pesadelos procurei um sonho…
Na solidão procurei caminhos…
Na escuridão procurei a luz…
(...)
Sucumbida ao cansaço parei de mendigar, o tanto que supliquei…
Peguei num lápis e papel e rabisquei as palavras que nunca te direi…